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Duas pistas de piso sintético bem diferentes 

Tentar comparar duas pistas sintéticas tão diferentes como as pistas de piso sintético do SkiParque de Manteigas e do SkiSkate da Amadora é uma tarefa quase impossível, tais as diferenças entre elas. Corre-se o risco de não fazer a devida justiça a cada uma porque os pontos mais relevantes de uma podem ser (e são em muitos casos) os pontos fracos da outra. Mesmo assim, resolvemos correr este risco porque é importante dar a conhecer as duas pistas de forma bem fundamentada e documentada.

Vista SkiParqueA visita às duas instalações aconteceu no mesmo dia, sob condições meteorológicas semelhantes: tempo seco, céu parcialmente nublado e temperatura amena (~20ºC). De manhã estivemos em Manteigas (Sameiro, mais propriamente) e à tarde na Amadora (Damaia) na companhia da Farófia e do Supermário, depois de 320 km percorridos em auto-estrada na sua maior parte.

Ao tomarmos contacto com os dois locais surgem as primeiras diferenças no que toca à paisagem. Do topo do SkiParque podemos avistar uma secção larga do vale do Zêzere ao qual, com mais 10 m de pista, poderíamos chegar e refrescar-nos nos dias de Verão. A paisagem que se pode desfrutar do topo da pista da Amadora não é nada inferior: uma vista espectacular sobre o estuário do Tejo que se alarga até ao cabo Espichel.

As diferenças começam aqui e não param. Enquanto na Amadora (SkiSkate Parque) temos uma pista rectangular com cerca de 100 m de comprimento, 10 de largura e aproximadamente 20% de declive médio, em Manteigas (SkiParque) temos duas pistas (além da de principiantes que também existe no SkiSkate), cada uma com cerca de 300 m úteis e declive variável. A pista vermelha de Manteigas apresenta 4 secções desde o topo com declives (aproximados) de 30, 20, 30 e 20 por cento, enquanto a pista preta usa as primeiras duas secções da vermelha e termina numa terceira secção com 35% de declive. Esta última secção é um half-pipe relativamente largo com uma caixa de saltos que pode ser colocada à entrada. A pista do SkiSkate Parque tem também uma caixa de saltos, esta quase em permanência por razões que se prendem com a sua utilização, como veremos mais adiante.

 

Os tapetes das duas instalações são semelhantes mas construídos e geridos de forma muito diferente. Ambos são tapetes plásticos com "pêlos" também plásticos e com aspersores de água colocados ao centro das placas que compõem o tapete. A diferença encontra-se na base sobre a qual o tapete é assente. Enquanto em Manteigas a base é bastante rígida, na Amadora há uma base diferente, mais fofa, que torna o "sentir" da pista semelhante ao de neve fofa e mais confortável para esquiar. Pelo contrário, o piso mais rígido de Manteigas produz uma sensação mais próxima de neve dura, a meio caminho entre a competição e o esqui de lazer.

As diferenças continuam na forma de gerir os dois tapetes e nas características do material de esqui e snowboard permitido. No SkiSkate (Amadora) os aspersores estão regulados para uma aspersão fina do tapete, produzindo junto ao tapete um nevoeiro de gotas de águas muito finas que se depositam sobre o tapete e evaporam, ao passo que, no SkiParque, a regulação dos aspersores produz gotas maiores, que molham mais o tapete e levam mais tempo a evaporar. Esta maior humidificação permite, em princípio, um deslizamento mais rápido. Ficaram por medir os coeficiente de atrito (estático e dinâmico) dos dois tapetes para poder ajuizar melhor sobre a sua diferença neste ponto. As possibilidades de utilização de um tapete dependem destes coeficientes e também do declive da pista, devendo-se ter presente que existe uma velocidade mínima (muito superior à sobre neve) para se poder controlar uma descida em piso sintético. E que esta velocidade só se atinge se existir um declive mínimo mais ou menos constante e não penas no troço inicial. E a consequência é que a velocidade máxima indicativa no SKISkate é de cerca de 30 km/h enquanto que no SkiParque é possível atingir uma velocidade máxima superior a 40 km/h.

 

Vista SkiSkate do topo

 No que toca ao material de esqui e snowboard empregue, no SkiSkate as arestas não podem estar minimamente afiadas (uns esquis com uma época sem afiar as arestas não puderam ser usados) mas as pontas dos bastões podem ser pontas normais com os copos retirados. Já no SkiParque os bastões têm que ter as pontas cortadas para não danificar o tapete mas as arestas podem (e devem) estar afiadas como se para neve se tratasse. Consequência: ao terminar de esquiar no SkiParque é necessário lavar botas, esquis e pranchas sobre pressão para nos desfazermos dos pêlos do tapete que são retirados pela passagem de esquis e pranchas e aderem aos mesmos. No SkiSkate Parque estamos livres de tais maçadas. Um argumento de bastante peso apresentado pela gestão do SkiSkate é que, assim, o tapete degrada-se muito mais lentamente.

Mas é no que diz respeito ao desempenho que esta última diferença mais incide. As arestas rombas por norma no SkiSkate Parque limitam, senão impedem, o carving e manobras de snowboard que se realizem sobre o rail. Como a velocidade está à partida limitada pelo declive (há quem afirme que o declive mínimo em piso sintético deva ser 25%), as viragens tornam-se muito mais difíceis, senão impossíveis, no SkiSkate, com a consequência da tendência ser de andar com esquis e pranchas "de chapa" a maior parte do tempo.  

E é aqui que começamos a descortinar a grande importância de cada uma destas duas instalações que, afinal, se complementam. Mas antes disso é bom recordar como cada uma surgiu.

O SkiParque foi construído para permitir a prática dos desportos de Inverno na Serra da Estrela durante todo o ano e não apenas quando a estância da Torre se encontra em funcionamento. Gerida por gente essencialmente do esqui, esta instalação tem-se dedicado ao ensino do esqui e snowboard e à realização de treinos e competições com vista à formação de atletas. Não descurando o esqui de lazer, faz formação e recebe grupos nesta área, com participantes essencialmente com origem em programas das unidades hoteleiras da região. A modalidade principal é o esqui, estando marcada (com piquets) uma pista de slalom.

 O SkiSkate Parque tem uma génese diferente. Nasceu da criação de um parque desportivo que pretendia atrair os muitos praticantes de skate da zona. Quando o parque foi expandido para incluir uma pista para a prática de desportos de Inverno, a evolução natural foi no sentido da transição do skate para o snowboard. Uma (possível) pista desta transição é a configuração adoptada para a pista, em tudo semelhante a uma rampa de lançamento para uma caixa de saltos de snowboard (e de esqui, também!).

Devido à sua localização na zona da Grande Lisboa, o SkiSkate Parque dispõe de um grande mercado potencial residindo a a pouca distância. Apresenta assim uma enorme capacidade para atrair muitos potenciais praticantes para o esqui e snowboard, o que tem vindo a suceder. As instalações existentes são mais do que suficientes para testar se se gosta ou não e para iniciar a aprendizagem. A possibilidade de realizar saltos acrobáticos em esqui e snowboard é a outra componente importante do SkiSkate Parque. Mas as capacidades da pista esgotam-se mesmo para esquiadores de lazer logo que deixem de ser iniciados.

Por seu lado, o SkiParque de Manteigas, embora situado numa zona com baixa população residente e distante dos centros urbanos populosos, possui as características necessárias para atrair os esquiadores e snowboarders que já não são principiantes e pretendem um pouco mais do que os 100 m de baixo declive da pista da Amadora. E, com a sua extensão apreciável, pode ser palco de algumas competições ou introdução à competição, além da atracção turística que começou por ser e que pode ser mais rentabilizada com uma maior ligação ao turismo da Serra da Estrela.

Em jeito de conclusão, podemos dizer que cada uma das instalações visitadas tem o seu público-alvo próprio. O SkiSkate Parque da Amadora tem como alvo uma grande população indiferenciada e, se assim o entenderem os seus responsáveis, poderá constituir um polo de atracção para a iniciação de praticantes das várias modalidades. Ao SkiParque de Manteigas, para além da formação de iniciação que já presta a uma população menor, tem um outro público alvo, mais exigente, composto por esquiadores e snowboarders que já ultrapassaram a aprendizagem inicial. 

Ficha Técnica 

 PistaSkiParque SkiSkate 
 LocalManteigas (Sameiro) Amadora (Damaia)
Pista principal
 comprimento
 desnível
 declive médio

266 m
 69 m
  27 % 

 97 m
20 m
 21 %
Meios mecânicos
  tipo
  comprimento
  vel. média
  tempo subida

telesqui
260 m
6 km/h
2' 40" 

tapete rolante
90 m
2 km/h
2' 30"
Horário de
abertura
 todos os dias
9 às 17
3a a domingo
10 às 19 
Preçospista e material
época baixa
   €10,00 (1h) €12,00 (2h)
época alta *
   €14,00 (1h) €16,00 (2h)
entrada   €3,00
pista e material (s/botas)
   €10,00 (1h) €15,00(2h)
suplemento botas
   €5,00 (1h) €7,50 (2h)
 Localização
EN 232
Sameiro
Manteigas
R. Carvalho Araújo
Damaia
(saída 2A do IC19)
 GPS
entrada
recepção

40,412444N 7,469938W
40,410661N 7,469364W 
38,743819N 9,229487W
38,745226N 9,230543W

 * Época alta: fins de semana, feriados e férias escolares de Natal, Carnaval e Páscoa